Bíblia de Maria

O livro I – O Filho de Maria

  1. O filho que tive
    não veio com sinais.
    Veio com choro.
  1. Seu primeiro som
    não foi palavra,
    foi necessidade.
  1. Eu o segurei
    sem saber quem ele seria.
    E isso me bastou.
  1. Nenhuma mãe precisa de destino.
    Precisa apenas
    que o filho respire.
  1. Seu corpo era pequeno.
    Cabia nos meus braços.
    E às vezes,
    só isso já parecia grande demais.
  1. Ele tinha fome.
    E a fome não espera promessas.
  1. Aprendi cedo que amar
    é responder ao que dói
    antes de perguntar por quê.
  1. Quando adoeceu,
    não pensei em sentido.
    Pensei em febre.
    Em água.
    Em não dormir.
  1. O medo me ensinou
    mais que qualquer anjo.
  1. Ele dormia.
    E eu o observava
    como quem vigia o mundo
    para que ele não acabe.
  1. Não sabia se seria bom.
    Não sabia se seria justo.
    Sabia apenas
    que era meu.
  1. Seu riso não salvava ninguém.
    Mas me salvava do cansaço.
  1. Às vezes chorava
    sem razão aparente.
    E eu descobri
    que nem toda dor
    pede explicação.
  1. O amor começa assim:
    aceitando o que não entende.
  1. Ensinei-lhe a andar
    sabendo que um dia
    ele iria embora.
  1. Toda mãe ensina o filho
    a se perder dela.
  1. Ele caiu muitas vezes.
    E aprendeu o chão
    antes do céu.
  1. Nunca pensei nele
    como escolhido.
    Pensei nele
    como frágil.
  1. E foi ali, na fragilidade, que o reconheci como humano.
  1. Se algum dia disseram que ele era maior que o mundo, saibam: no começo, ele cabia no silêncio entre o meu coração e o meu medo.



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En el texto hay: poesia, filosifia, religião

Editado: 28.02.2026

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