O Som Do Meu Destino

CAPÍTULO 19 — ENTRE SILÊNCIOS E MELODIAS

Ao entrarem no apartamento, Mia parou por um instante.

O olhar percorreu cada detalhe.

Tudo era moderno. Amplo. Elegante.

Luz suave, móveis bem planejados, um espaço que transmitia conforto… e um tipo de vida que ela nunca tinha vivido.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos.

Não por inveja.

Mas por comparação.

— Como você conseguiu ficar naquele hotel da minha cidade… sendo que mora em um lugar assim? — perguntou, curiosa.

Miguel soltou um leve sorriso.

— Isso aqui não é luxo, Mia.

Ela arqueou a sobrancelha, olhando ao redor.

— Não?

— É só… um apartamento.

Ela não respondeu.

Mas, no fundo, pensou:

Se isso é simples pra ele… o mundo dele é muito diferente do meu.

Miguel então a conduziu pelo corredor.

— Esse vai ser o seu quarto.

Ele abriu a porta.

Mia entrou devagar.

E ficou sem reação.

— Nossa… — murmurou.

O quarto era grande, organizado, aconchegante.

A cama parecia confortável demais.

O espaço… maior que muita coisa que ela já teve.

— Isso aqui é maior que a minha casa… — disse, meio sem jeito.

Miguel observou a reação dela com atenção.

Sem ironia.

Sem superioridade.

— Fica à vontade — disse apenas.

Mia assentiu.

Ainda absorvendo tudo.

Alguns minutos depois, já mais calma, ela apareceu na sala.

Um pouco tímida.

— Eu… tô com fome — disse, meio sem graça. — Posso preparar alguma coisa? Pra gente comer… como forma de agradecer.

Miguel pareceu surpreso.

Mas assentiu.

— Claro.

Ele a levou até a cozinha.

Mia abriu a geladeira com cuidado.

Observou os ingredientes.

Simples.

Mas suficientes.

Ela começou a preparar algo básico.

Nada sofisticado.

Mas feito com atenção.

Miguel ficou encostado no balcão, observando.

Sem interromper.

O cheiro começou a se espalhar.

A cozinha, que antes era apenas um espaço bonito, começou a parecer… viva.

— Pronto — disse ela, alguns minutos depois.

Eles se sentaram.

Miguel experimentou.

E, por um instante, ficou em silêncio.

— Tá bom? — perguntou Mia, insegura.

Ele a olhou.

— Tá muito bom.

E não era apenas sobre a comida.

Era sobre o momento.

Eles conversaram pouco.

Sem pressa.

Sem tensão.

Era simples.

E, por isso… importante.

Mais tarde, o cansaço começou a pesar.

— Você deve descansar — disse Miguel.

— Você também — respondeu Mia.

Cada um seguiu para o seu quarto.

Mas o silêncio da noite não trouxe descanso para Mia.

Ela se deitou.

Virou de um lado.

Depois do outro.

O dia tinha sido intenso demais.

A viagem.
O reencontro.
O roubo.
A mudança repentina.

Era muita coisa para um só dia.

Depois de um tempo, ela se sentou na cama.

Suspirou.

Se não conseguia dormir…

talvez pudesse transformar aquilo em algo.

Mia pegou um caderno.

E começou a escrever.

Palavras soltas no começo.

Depois frases.

Depois sentimentos organizados.

Não era perfeito.

Mas era verdadeiro.

Quando terminou, olhou para o papel.

Faltava a melodia.

Mas… já era um começo.

Ela sorriu de leve.

E, dessa vez…

conseguiu dormir.

Na manhã seguinte, o cheiro de café acordou Mia.

Ela se levantou devagar e foi até a cozinha.

Miguel já estava lá.

— Bom dia — disse ele.

Ela sorriu.

— Bom dia.

A mesa estava simples.

Mas acolhedora.

Tomaram café juntos.

Sem pressa.

E, pouco depois, seguiram para a produtora.

Ao entrarem, alguns olhares se voltaram para eles.

E, entre esses olhares…

estava o de Manuela.

Ela os observou.

Os dois juntos.

Chegando juntos.

E o incômodo cresceu.

Mais forte do que antes.

Mas, dessa vez…

ela não disse nada.

Apenas guardou.

No escritório, Mia respirou fundo antes de falar.

— Eu escrevi uma coisa… — disse, tirando o papel da bolsa. — Eu não consegui dormir direito… então fiz isso.

Ela estendeu a folha.

Um pouco insegura.

— Não sei se tá bom… mas acho que dá pra trabalhar… talvez com uns arranjos.

Miguel pegou o papel.

Começou a ler.

E, aos poucos…

sua expressão mudou.

Surpresa.

Interesse.

Admiração.

Ele levantou o olhar para ela.

— Você escreveu isso… hoje?

Mia assentiu.

— Foi.

Miguel respirou fundo.

— Isso aqui não é só bom, Mia…

Ele fez uma pequena pausa.

— Isso aqui é real.

Ela ficou em silêncio.

E, pela primeira vez…

sentiu que talvez estivesse no caminho certo.

Miguel puxou uma cadeira.

— Vem. Vamos trabalhar nisso.

Ela se aproximou.

E, juntos…

começaram a transformar palavras em música.




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