No outono de 1642, Mei Sheng obteve o grau provincial. Zhong Sheng, Huan E, Jia Wenwu e Tong Zida foram felicitá-lo. Quando ficaram a sós, Zhong confessou que sua alegria trazia uma sombra: temia que o êxito tornasse a separar dois amigos unidos desde a infância como irmãos de sangue diferente.
Mei Sheng riu. Prestara o exame para saldar sua dívida com os livros, não para buscar cargo ou riqueza. O império parecia um ovo na beira de uma torre; entrar na administração obrigava a calar entre indignos ou a denunciar males que um homem sozinho já não podia sustentar. Não iria a Beijing. Aliviado, Zhong brindou à resolução.
Desde então, reuniram-se para beber, compor versos e falar de história. Uma chuva que parecia reter o visitante deu ocasião a jogos de palavras; depois cantaram a espada, o vinho, a roupa, a comida, a piedade filial e o retiro. Não eram ócios vazios: em cada poema mediam quanto o homem necessita e quanto o desejo o escraviza.
Viajaram depois ao Hongji Si para contemplar suas ameixeiras antigas. Algumas eram tão largas que vários homens não conseguiam abraçá-las; a encosta parecia coberta de jade florido. Entre a multidão, Zhong viu um mendigo quase morto de frio e fome. Levou-o à hospedaria, alimentou-o e mandou tratá-lo.
Ao recuperar as forças, o homem disse chamar-se também Zhong. Nascera numa família instruída, mas jogo e gula o haviam levado à miséria, contribuindo para a morte do pai e para o novo casamento da mãe. Zhong Sheng descobriu que era filho perdido de um parente. Recebeu-o como sobrinho e deu-lhe o nome Zixin, “renovar-se”, e o nome de cortesia Youxin, “renovado outra vez”.
Consumido pelo remorso, Zixin não queria casar. O tio explicou que expiar não era destruir-se, mas mudar de conduta, cuidar dos vivos e devolver honra aos mortos. Por intermédio de Wu He, arranjou-se seu casamento com uma jovem da família Bao, educada por Zhengu. Ela se mostrou instruída, respeitosa e filial. Assim, um encontro aparentemente casual restaurou um ramo inteiro da família.
Enquanto isso, Xi You voltava ao sul. Na eclusa de Linqing viu os barcos de um alto funcionário que regressava com honras: era Rong Gong, marido de sua irmã. O reconhecimento reuniu os irmãos depois de muitos anos. Rong Gong soube ainda que Hao Gu, antigo malfeitor, fugira, se arrependera e agora vivia sem causar dano. Preparou para Xi You uma casa e terras em Tushan, mantendo a família por perto.
Zhong visitou Rong Gong ali. Conversaram noites inteiras sobre clássicos, história, poesia e a ascensão e queda dos Estados. Convidaram Yi Yuren para uma refeição. O vizinho rico, antes arrogante, chegou ansioso por sentar-se junto a homens prestigiosos; mas aquele banquete seria o último.
Na casa de Yi, o desejo sem freio apagara hierarquia e lealdade. Yuan Shi, Jiao Shi, Mazaor e Shuiliang conspiravam com Miao Xiu e Gu Shi. Zou Shi, única a conservar prudência, avisou o senhor. Yi, bêbado e furioso, humilhou as culpadas e ameaçou vendê-las. Naquela noite, elas o mataram e fingiram uma morte repentina.
O censor itinerante Zhi Gong, discípulo de Rong Gong e magistrado de integridade inflexível, chegou à aldeia. Um redemoinho persistente conduziu-o ao túmulo. Mandou prender Miao Xiu e Gu Shi; interrogou separadamente a casa e percebeu as contradições. Zou Shi declarou o que vira. Investigados, os culpados confessaram adultério, conspiração e assassinato.
Nem o dinheiro de Niu Zhi nem seus laços com um ministro torceram o processo. Os que tentaram comprar os oficiais foram castigados; Miao Xiu, Gu Shi, Yuan Shi, Jiao Shi, Mazaor e Shuiliang receberam sentença conforme sua participação. Zou Shi foi libertada e protegida. O narrador não apresenta a ruína como acidente, mas como fim de uma casa erguida sobre abuso, cobiça e impunidade.
Pouco depois, Niu Zhi celebrou cinquenta anos com luxo desmedido. Parentes e aduladores encheram-lhe a porta enquanto a fortuna parecia intacta. Então um incêndio consumiu a residência e matou grande parte da família. Entre as cinzas, já não se distinguiam os ossos. Niu, que confiara em riqueza e parentesco oficial, ficou contando restos de prata sobre a terra queimada.
A história voltou a Guan Jue. Ele vivia com economia, livros e poucos campos. Para o aniversário de Yan Liang enviou um presente simples. Seu filho Guan Bixian e a esposa foram tratados com frieza, enquanto Fu Jin e sua mulher receberam honras por causa do dinheiro. Guan Jue aceitou a afronta como espetáculo da mudança humana: quem só enxerga o favor presente não compreende o mundo.
Fu Jin agravou depois uma disputa por dívida e matou Wu Lai num acesso de raiva. Seu pai, Fu Hou, gastou quase toda a fortuna tentando comprar uma saída. Funcionários gananciosos prolongaram o caso para extrair mais. Zhi Gong interveio, obrigou-os a concluí-lo segundo a lei e expôs tanto a violência do rico quanto a venalidade dos administradores da justiça.
Quando Fu Hou e Fu Jin empobreceram, Yan Liang, que antes os adulava, tratou-os como estranhos. Guan Jue, ao contrário, recebeu-os sem vanglória. Zhi Gong visitou Guan publicamente e ofereceu ajuda; ele não pediu negócio nem favor, apenas apresentou o filho, aluno da escola local. A aldeia entendeu tarde que dignidade não era a mesa mais farta.
Chegou 1644. Ao saber que os rebeldes cercavam Beijing, Zhong Sheng parou de comer e chorou pelo soberano. Qian Gui lembrou que ele já não ocupava cargo. Zhong respondeu que quem comera o grão do Estado devia partilhar sua angústia mesmo no retiro.
Mais tarde, Huan E trouxe a notícia da morte de Li Zicheng. Derrotado perto de Shanhaiguan, Li abandonara Beijing, marchara por Hubei e pretendia tomar Nanjing. Em Tongcheng, saqueou o caminho e enviou suas divisões adiante. Os aldeões, conduzidos por Cheng Jiubo, resistiram; na confusão, Li morreu. O relato celebra o fim do rebelde, embora reconheça que uma morte não reparava as incontáveis vidas destruídas.