Vientos de Pasión – Renacido de las Cenizas – Precuela

Capítulo 1

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A chuva escorria preguiçosamente pelas altas janelas da mansão Hawthorne, traçando riscos pelos vidros embaçados, como se a própria casa exalasse abandono. O ar, denso de umidade e com um cheiro nauseante de fumaça rançosa, carregava o odor mofado da decomposição. Os rodapés estavam gastos, os tapetes desbotados onde menos se notava, e o piso de madeira rangia sob os pés como se protestasse contra a presença de seres vivos.

Alexandre, Visconde Halbridge e futuro Marquês de Hawthorne, acabara de completar vinte e três anos. Procurava o pai, caminhando pelos corredores com passos firmes, o som abafado pelo tapete gasto. Sua postura era a de um nobre, disciplinado e reservado; sua expressão, vazia, típica de alguém que aprendera cedo demais a esconder todos os seus sentimentos.

Seu rosto, com traços delicados e expressão austera, revelava as marcas de noites em claro e a severidade de um mundo que lhe negara ternura. Seus olhos, de um cinza pálido como uma manhã de luto, herdados da mãe que perdera cedo demais, conservavam um brilho discreto, quase esquecido: vestígio de uma infância truncada e da ausência de afeto, legado de um pai incapaz de amar.

O casaco de lã, embora apresentável, mostrava sinais de desgaste: bainhas desfiadas e tecido gasto. Tal como a casa, ele também aprendera a manter as aparências, mesmo quando tudo à sua volta ameaçava desmoronar.

Encontrou o pai na sala principal, reclinado numa poltrona de couro, o casaco de caça ainda desalinhado e um copo de conhaque pendendo languidamente entre os dedos. Lorde Hawthorne, outrora uma figura temida nos salões londrinos, era agora um destroço embriagado: olhos vermelhos, hálito fétido, voz arrastada. Os criados, ocupados em varrer os últimos vestígios da noite anterior, saíram silenciosamente da sala quando o herdeiro entrou.

—Você me garantiu que as questões em Yorkshire estavam resolvidas—, declarou Alexander, num tom mais cortante do que pretendia.

O pai ergueu lentamente o olhar, colocando o copo sobre a mesa com um leve tilintar, indiferente.

"Os negócios, meu caro, exigem ajustes", respondeu ele com desdém. "E confiança. Confiança no julgamento daquele que, apesar de tudo, ainda está sustentando este maldito teto."

Alexandre aproximou-se e atirou um envelope sobre a mesa. O papel amarelado deslizou e bateu no vidro. As mãos do marquês tremeram, mas apenas por um instante.

—“Ajustes”? Você chama isso de ajuste? Um empréstimo feito a um agiota escocês que exige juros mensais e ameaça enviar oficiais para confiscar o pouco que nos resta de propriedade? É assim que você pretende administrar o legado da nossa casa?

O silêncio que se seguiu foi mais eloquente do que qualquer resposta. Então, o velho marquês desviou o olhar apaticamente e soltou uma risada rouca, interrompida por uma tosse seca que lhe sacudiu o peito.

"Ah, meu filho... ninguém passa por esta vida com as mãos limpas. Alguns aprendem cedo; outros, da maneira mais difícil." Ele encheu o copo novamente, virando o conhaque com urgência. "Amanhã vamos dançar. Como nos velhos tempos. Esse dinheiro vai dar conta do recado."

—Uma dança? —Alexander ficou completamente incrédulo.

—Ou você esperava que uma rica herdeira aparecesse por acaso, atraída pelos destroços da nossa linhagem? Pelo menos com música e champanhe, elas vêm por conta própria. Você se apresenta, sorri e faz a escolha que já deveria ter feito.

Ele fez uma pausa. Seus olhos, semicerrados pela bebida e pela astúcia, repousaram por um instante sobre o filho antes de lançar sua provocação:

—Porque, sejamos honestos… se eu não for quem está incentivando vocês, vocês não darão um passo sequer. E, mais cedo ou mais tarde, alguém vai começar a perguntar… por quê?

A frase, proferida com aparente descuido, carregava um veneno sutil. Alexandre não disse nada.

"É seu dever", concluiu o pai, com fria indiferença.

Aquelas palavras, proferidas num tom quase burocrático, atingiram-no como um chicote. Por um instante, a fúria subiu-lhe à garganta; cerrou os punhos com tanta força que os nós dos dedos perderam a cor.

"Você destruiu tudo o que herdamos", disse ela, com a voz controlada. "E agora exige que eu sacrifique o que me resta para salvar as minhas aparências?"

"Ah... 'sacrificar a própria alma'", repetiu o pai, dando uma risadinha. "O que você sabe sobre isso? Cumpra seu dever, Alexandre. Honra não traz comida à mesa."

Aquelas palavras o magoaram mais do que ele admitiria. Não havia resposta possível. Apenas o eco do fracasso e a certeza de que o futuro não traria misericórdia.

Um trovão ribombou à distância. As janelas tremeram. Alexandre não se mexeu. Dentro dele, a dor era como uma velha ferida: turbulência, impotência e um luto que nunca se resolvera.

Ela se virou sem dizer uma palavra e saiu da sala.

Na solidão do seu quarto, sentou-se diante da lareira quase apagada. As tênues chamas dançavam timidamente sobre as brasas, projetando sombras trêmulas nos rostos dos retratos esquecidos. Do bolso, tirou a carta do usurário e a contemplou por um longo tempo sob a luz bruxuleante.

"Lorde Alexandre Hawthorne — Visconde Halbridge."

As letras escuras e em negrito pareciam zombar dele. Por um instante, seus dedos tremeram. Pensou em jogá-lo no fogo. Teria sido fácil. Libertador. Mas não o fez. Fugir não mudaria o destino. Apenas o adiaria… e talvez o tornasse mais cruel.

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En el texto hay: traição, renascimento, luta

Editado: 10.02.2026

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