Mulan em Mim

Capítulo 14: O sobrinho do conselheiro

Gao Wei apareceu na tenda de curativos na manhã seguinte.

Não estava ferido. Não trazia nenhum soldado ferido. Só entrou, as mãos nas costas, e percorreu o espaço com o olhar de quem inspeciona uma propriedade.

— Então é aqui que você trabalha — disse, parando diante de Sofia.

Ela estava separando ervas sobre a mesa, as costas viradas para a entrada. Não se virou.

— Me falaram que você salvou um homem ontem. Na brecha. Com uma faca.

Sofia continuou separando as folhas.

— E que vomitou depois. — Gao Wei sorriu. — Isso não me contaram, mas eu imaginei.

Ela se virou. Gao Wei estava mais perto do que esperava, a armadura polida cheirando a óleo perfumado.

— Você é uma contradição interessante — continuou ele. — Pequeno demais para ser soldado. Quieto demais para ser oficial. E, no entanto, todos falam de você. O comandante. O médico. Até meu tio perguntou sobre você na última carta.

Sofia sentiu um calafrio. Gao Gong perguntara sobre ela.

— Meu tio é um homem muito ocupado — disse Gao Wei, pegando uma folha de alecrim-pimenta da mesa e a cheirando com desdém. — Não se interessa por soldados rasos. O fato de ele ter perguntado sobre você... bem, é notável.

Ele largou a folha. Ela caiu no chão.

— Vou ficar de olho em você — disse Gao Wei. — E quando meu tio chegar, ele também vai querer te conhecer.

Saiu sem se despedir.

A Chai entrou logo depois, carregando um fardo de ataduras.

— O que aquele porco queria?

Sofia catou a folha do chão. Estava amassada, mas ainda servia.

— Informação — disse ela.

Naquela tarde, durante o treinamento, Gao Wei voltou a aparecer. Desta vez, estava acompanhado de dois soldados de sua escolta pessoal. Parou na borda do campo e ficou observando.

— Você — chamou, apontando para Sofia. — Me traz água.

Ela hesitou. O instrutor olhou para Gao Wei, depois para Sofia, e não disse nada. A hierarquia falava mais alto.

Sofia foi até o poço, encheu uma xícara e levou até ele. Gao Wei estendeu a mão. Quando ela foi entregar, ele deliberadamente não segurou. A xícara caiu. A água se esparramou na terra.

— Desajeitado — disse Gao Wei. — Enche outra.

Sofia respirou fundo. Foi ao poço. Encheu outra. Desta vez, segurou a xícara até sentir que ele a tinha segurado. Só então soltou.

Gao Wei bebeu. Devolveu a xícara vazia. Seus dedos roçaram os dela.

— Melhor — disse. — Pode ir.

Ela voltou para o treinamento. A Chai a olhou com raiva contida.

— Se quiser, eu dou um jeito nele — murmurou.

— Não — disse Sofia. — Ele quer provocar. Não vou dar esse gosto.

Mas suas mãos tremiam. Não de medo. De fúria.

Naquela noite, Chen Yan apareceu na tenda.

— Gao Wei está interessado em você — disse, sem preâmbulo.

— Eu notei.

— Não é só interesse. É... — Ele hesitou. — Ele gosta de colecionar coisas. Pessoas. Animais. Objetos. Quanto mais raro, melhor.

Sofia olhou para ele.

— E você veio me avisar?

— Vim.

— Por quê?

Chen Yan ficou em silêncio. Depois disse:

— Porque você não é ela. Mas também não é uma estranha. E eu... ainda não sei o que fazer com isso.

Saiu antes que ela pudesse responder.

Sofia ficou sentada na esteira, a faca de Aina no colo. Três homens a observavam agora. Xiao Ce, com sua proteção condicional. Gao Wei, com sua cobiça. Chen Yan, com sua confusão.

Ela passou o polegar pelo fio da lâmina. Estava afiada.

�� Nota da autora (Mike A Sir): Gao Wei começou a mostrar as garras. “Ele gosta de colecionar coisas. Quanto mais raro, melhor.” QUE NOJO. Chen Yan veio avisar — ele ainda não sabe o que sente, mas não quer que ela se machuque. E o fato de Gao Gong ter perguntado sobre a Sofia na carta... isso é muito perigoso. O cerco tá se fechando!



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En el texto hay: reencarnação, mulher forte, china antiga

Editado: 03.06.2026

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